Diário Stormtrooper eleito a melhor fanfic do mundo!

Sim, é isso mesmo!

E não fui eu quem decidiu isso (o que seria um pouco imparcial), mas sim a Revista Mundo Estranho.

Em seu canal no Youtube a revista fez um vídeo onde fala sobre as 4 melhores fanfics em português do site Wattpad. Para minha surpresa, a minha fanfic “Diário Stormtrooper” ficou em 1º lugar!

Bom, se você não acredita (ok! eu também não acreditei no início) vale a pena conferir o vídeo feito por eles:

E se quiser conhecer a minha fanfic (que já está na 2º temporada), basta clicar aqui ou acessar o link abaixo:
– http://my.w.tt/UiNb/siVAk3iA6B

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Resenha ~ O Clube dos Suicidas (Robert Louis Stevenson)

capaLivro: O Clube dos Suicidas
Título Original: The Suicide Club
Autor: Robert Louis Stevenson
Editora: Rocco
ISBN: 9788579800078
Ano: 2010 (original:1878)
Páginas: 81
Tradutora: Eliana Sabino
Versão: eBook Kindle

 

Poucos leitores sabem mas Robert Louis Stevenson, autor que se tornou conhecido por sua obra “O Médico e o Monstro” (um dos maiores clássicos da ficção científica e do terror) e “A Ilha do Tesouro” (clássico mundial da literatura infanto-juvenil), também era um excelente escritor de suspense e literatura policial. De fato, não só ele escreveu algumas obras famosas do gênero como também seu livro “O Clube dos Suicidas” é considerado o percursor do romance policial. A influência desse livro é tanta que inspirou outros autores consagrados como Sir Arthur Conan Doyle, criador do Sherlock Holmes e também Jack London, Autor de “O Lobo do Mar”.

O clube dos Suicidas narra, através de três contos curtos, a história do Principe Florizel e seu fiel amigo Coronel Geraldine. Os dois tem um ímpeto natural por aventuras, saindo para a noite londrina disfarçados, buscando histórias e mistérios. Em uma dessas noites eles encontram um jovem em um pub oferecendo tortinhas de creme para os presentes. Após um pouco de conversa, o príncipe faz amizade com o jovem, que lhe conta sobre uma curiosa sociedade secreta chamada: O Clube dos Suicidas.

Conforme o nome deixa claro, trata-se de um grupo de pessoas cujo único propósito é tirar a própria vida. Essas pessoas, entretanto, não tem a coragem ou convicção suficientes para “fazer o serviço” e para isso recorrem ao clube. Florizel e Geraldine, disfarçados, entram para o clube e descobrem uma espécie de jogo de azar onde uma pessoa é sorteada para morrer e outra é sorteada para mata-la. Esse é o intuito final do clube. Ao longo do livro, o príncipe se empenha em capturar e matar o infame presidente do clube dos suicidas, tarefa que se mostra mais difícil do que esperava.

A escrita de Stevenson é bastante simples e vai direto ao ponto. O suspense é mais narrativo do que contextual, criando uma curva de tensão logo no inicio e terminando cada conto em clima mais ameno. Isso talvez se dê por duas razões, primeiro pela familiaridade do autor em escrever contos juvenis, segundo pelo formato episódico que a obra foi publicada originalmente. Não é um romance de teor totalmente adulto, apesar de apresentar certa morbidez. A leitura é rápida e não existe espaço para muitas indagações do leitor.

Apesar do tema central ser pouco explorado (somente o primeiro conto aborda diretamente o clube), a obra é interessante pois claramente delimita o que viria a se tornar o romance policial. O formato de dois personagens, cumplices e amigos, investigando crimes (que mais tarde se tornaria popular em Sherlock Holmes) foi criado nesta obra. O clima soturno da Era Vitoriana, presente em diversas obras até os dias de hoje, se mostra o elemento chave do gênero, justamente por causa de Stevenson.

Esse não é o melhor livro de Stevenson, tampouco é o melhor representante do gênero policial, mas é essencial para aqueles que desejam entender a sua formação.

Resenha ~ O Último Desejo (Andrzej Sapkowski)

capa_last_wishLivro: O Último Desejo
Título Original: Ostatnie Zyczenie
Autor: Andrzej Sapkowski
Editora: Wmf Martins Fontes
ISBN: 9788578273743
Ano: 2011 (original:1993)
Páginas: 320
Tradutor: Tomasz Barcinski
Versão: eBook Kindle

 

Uma pergunta que eu me faço, cada vez com menos frequência, é “quanto tempo a literatura fantástica ainda vai sobreviver?“. Me pego fazendo essa pergunta a cada vez que vejo uma enxurrada de livros rasos e semi-plagiados nas estantes da grandes livrarias, imaginando que um dia o mercado ficará sobrecarregado e o gênero renegado a um nicho de leitores cada vez menor. Felizmente, a dúvida se desfaz quando encontro algumas pérolas extremamente valiosas (e algumas vezes raras). O Último Desejo é uma delas.

O livro do polonês Andrzej Sapkowski (sim, é difícil sequer começar a pronunciar o nome) é considerado um clássico cult da literatura de fantasia. Composto de oito volumes conhecidos como “A Saga de Geralt de Rivia“, O Último Desejo é o primeiro livro da série e nos apresenta um universo fantástico que, apesar de parecido com coisas populares (como Tolkien), possui características singulares.

Geralt de Rivia, é um dos bruxos (nas outras mídias relacionadas chamados de witchers) mais famosos do continente de Temeria. Witchers são humanos nascidos com anomalias genéticas, geralmente abandonados por suas famílias ainda crianças. Essas crianças são entregues a uma das diversas escolas de bruxos onde aprendem as arte de combate, magia e poções para se tornarem os melhores caçadores de monstros e criaturas fantásticas. A vida de um bruxo, entretanto, não é fácil. Eles precisam arriscar suas cabeças para matar estriges, vampiros, trolls, dragões e toda sorte de feras, nas esperança de ganhar alguns trocados. Bruxos também são considerados pessoas de baixo escalão. Desejados pela sociedade como grandes matadores, mas renegados do convívio social por não serem totalmente humanos.

O livro se apresenta como uma sequência de contos interconectados, narrados pelo próprio Geralt para diversos personagens da trama, geralmente como explicação para alguma pergunta pessoal que lhe fazem. A história é conduzida com fluidez e com um nível de detalhes interessante. Os monstros e criaturas, geralmente do folclore eslavo, são descritos como uma vividez impressionante, e os combates são cheios de tensão e suspense. A trama, que pode parecer rasa e banal, torna-se densa e complexa a cada capítulo, terminando em uma clássica cena do herói cavalgando em direção ao Sol.

O universo do livro é o principal ponto de destaque. Histórias de fadas como “Branca de Neve” e “A Bela e a Fera” aparecem em versões corrompidas onde, por exemplo, a Branca de Neve é uma feiticeira assassina e a Bela é uma vampira strigoi. Além disso, príncipes são todos canastrões e reis são pessoas egoístas e tiranas. Não é exagero dizer que o autor busca desconstruir a visão romantizada que temos sobre os mitos medievais, apresentando um universo caótico e voraz, onde a esperança é o fio de uma espada.

A leitura é recomendada para amantes de Fantasia e obrigatória para aqueles que jogaram a versão para videogames.

 

100+ Seguidores!

100+ SEGUIDORES

E hoje, meu caros amigos (e amigas também), o meu blog atingiu mais de 100 seguidores!

É um feito e tanto quando paro para pensar que se trata de um blog bastante pessoal, que não tenta acompanhar nenhuma tendência e que, muitas vezes, acaba sendo bastante diverso nos assunto que aborda.

Agradeço a todos que me seguiram e tem me ajudado nessa caminhada virtual, seja lendo e comentando, seja compartilhando alguma postagem, seja enviando convites para tags e participações especiais… enfim, todos estão no meu coração.

Resenha Rápida ~ O Planeta dos Macacos (Pierre Boulle)

o-planeta-dos-macacos-pierre-boulle-editora-alephLivro: O Planeta dos Macacos
Título Original: La planète des singes
Autor: Pierre Boulle
Editora: Editora Aleph
ISBN: 9788576572138
Ano: 2015 (original:1963)
Páginas: 216
Tradutor: André Telles

Esse é o meu primeiro livro lido no Kindle. Como agora tenho conseguido avançar melhor nas minhas leituras, resolvi estrear uma nova modalidade de resenha chamada “Resenha Rápida”. Basicamente eu tento responder, de forma breve, algumas poucas perguntas sobre aspectos centrais do livro a ser analisado.

Introdução

O Planeta dos Macacos, livro do francês Pierre Boulle, foi publicado em 1963 e logo fez sucesso, se tornando nos dias de hoje em um dos maiores clássicos da Ficção Científica. Além disso, o livro também recebe diversas adaptações para cinema, quadrinhos, séries de TV e desenhos animados.

Do que se trata

O livro é uma crítica social em forma de distopia, em uma planeta (que não é a Terra) onde macacos evoluíram mais do que seres humanos. A história é narrada em primeira pessoa por Ulysse Mérou, um astronauta terráqueo que vai participa de uma expedição à um planeta distante. No local os humanos são selvagens sem intelecto, enquanto chimpanzés, orangotangos e gorilas são as espécies dominantes. O astronauta, cativo dos macacos, passa a tentar demostrar ao macacos que possui intelecto como eles e acaba – eventualmente – conseguindo. Ele então é liberto e passa a narrar as diferenças da sociedade primata em comparação com a humana (diferenças que são muito poucas).

Como é a escrita

Conforme mencionado ela é em primeira pessoa, com um grande enfoque nos sentimentos e sensações de Ulysse. O autor é bastante descrito no que se refere a psique dos personagens (até mesmo macacos), mas é moderado com relação ao mundo ao redor. A leitura é fácil e fluída, o que é uma das características mais marcantes do livro.

Vale a pena ler?

O livro é leitura obrigatória para qualquer fã de Sci-Fi. Além disso, é pequeno e de fácil digestão, perfeito para carregar em uma viagem ou ler durante um voo de avião (por exemplo). Cabe dizer também que ele mexe com questões importante de ética científica e direitos dos animais.

Por que me rendi ao Kindle

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De uns tempos para cá tenho feito alguns malabarismos para conseguir ler um pouco mais. Basicamente tomei por hábito toda vez que estiver ” a toa” pegar um livro e ler. Isso inclui os minutinhos antes de dormir, o trajeto de ônibus até o trabalho, alguns minutinhos no horário de almoço, mais alguns minutinhos antes de ir pro trabalho (quando dá) e etc. O esforço tem dado um pouco de resultado, mas também me mostrou algumas desvantagens. A primeira coisa foi o cansaço diário de carregar um livro de, digamos, 400 páginas na mochila. Existe também um incomodo enorme em sacar um tijolo de papel da mochila, se ajeitar para ler, retirar o marcador de página e, então, ser atrapalhado por alguém querendo sentar na poltrona do lado. Outro problema da leitura quase compulsiva é a grande demanda por espaço para organizar e guardar os livros físicos. Para se ter uma ideia, no último ano tivemos (eu e minha esposa) que comprar uma estante adicional só para livros comprados – em sua maioria – naquele mesmo ano. Para esse ano já nem tenho mais espaço em casa para comprar uma terceira estante de livros.

A somatória de “probleminhas” que listei acima me levou a pesquisar soluções mais viáveis, e os e-reader surgiram como opção.

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Por que um e-reader e não um tablet?

Essa foi a primeira pergunta que me fiz. Afinal, em um tablet eu poderia ler, jogar, assistir filmes, ouvir música, acessar redes sociais e etc. As vantagens de um aparelho multifuncional seriam inúmeras, mas o primeiro fator surgiu: preço.

Um tablet minimamente razoável custaria, pelo menos, uns 700 reais. Um e-reader sai na base de 300-500 reais (dependendo do modelo). O modelo que escolhi foi um Kindle básico da amazon, que costuma sair entre 200-300 reais.

Também percebi duas outras vantagens dos leitores eletrônicos. A primeira é, obviamente, a tela e-ink que – diferentemente das telas de tablets – não cansa a vista por simular quase perfeitamente uma impressão em papel. Essa tela também permite ler sob a luz do Sol sem reflexos. A segunda – e menos conhecida – vantagem é a vida útil. Tablets costumam ficar obsoletos em cerca de 1 a 2 anos de uso. Isso se dá pela questão de atualizações de software e apps que passam a exigir cada vez mais hardware do disposito. E-readers são feitos para serem duráveis nesse sentido. Ainda que novos modelos surjam, seu e-reader de 5 anos atrás continuará com a mesma performance de antes e continuará conseguindo ler os seus livros perfeitamente.

Existe também uma terceira vantagem em e-readers. Por serem aparelhos dedicados, eles costumam ter interfaces e ecossistemas que favorecem a leitura. Você não vai receber uma ligação no meio de um parágrafo, também não vai ter notificações de redes sociais pulando na sua tela e tampouco terá a possível distração de centenas de apps instalados em um tablet. Quando você segura um e-reader a sua atenção está toda voltada para o texto… e isso é muito bom.

Além do citado acima, é sempre bom mencionar que e-readers costumam ter baterias que duram semanas sem precisar recarregar. Eles também são menores e mais leves que tablets, o que possibilita maior conforto.

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Vantagens adicionais

Aparelhos dedicados ainda apresentam algumas outras pequenas vantagens, que também estão presentes em tablets, mas somente através dos apps específicos dessas fabricantes. Uma delas, por exemplo, é a possibilidade de tocar em qualquer palavra na tela e conferir na hora o seu significado no dicionário ou na Wikipedia. Isso é particularmente útil ao ler livros técnicos ou em línguas estrangeiras. Além disso, é possível destacar e fazer anotações em trechos do livro e compartilhar com outros usuários, o que se torna muito útil para revisores de texto, por exemplo.

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E-readers também possibilitam configurar o tamanho e espaçamento das fontes do livro, se adequando a uma grande gama de pessoas. Outra vantagem são as dicas de vocabulário presentes no Kindle (não sei se estão presentes nos outros dois aparelhos, leia mais abaixo), que são palavras pré-selecionadas pelo autor do livro e que tem seu significado incluso como opção ao tocar sobre elas. Isso possibilita aprender termos bastante específicos (como de algumas obras de época) ou facilita o aprendizado de um novo idioma.

Desvantagens de um leitor digital

A primeira e grande desvantagem é a tela. Atualmente os leitores com preços acessíveis somente possuem tela em preto e branco e tons de cinza (dezesseis tons de cinza). Para quem quer ler livros com gravuras ou quadrinhos isso pode ser uma desvantagem grande. Existem opções com telas coloridas, mas elas custam mais do que tablets e são difíceis de encontrar aqui no Brasil.

A segunda desvantagem é o preço dos e-books. Atualmente os livros digitais costumam sair cerca de 30-70% mais baratos do que livros impressos. Para livros que sejam lançamentos essas diferenças acabam sendo pequenas, geralmente menos de 10%. É realmente estranho pagar o preço de um livro impresso em uma versão digital. Livros digitais também trazem pouco apego a obra em si devido a ausência física deles. Se você gosta de coleções, belas capas e estantes cheias, talvez e-readers não sejam para você.

No meu caso ainda pretendo comprar livros físicos, especialmente coleções e edições especiais com capa dura e etc.

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Por que um Kindle?

Depois de decidir por um e-reader, era a hora de decidir qual deles.

Atualmente temos três “grandes marcas” no mercado: O Kobo (da Livraria Cultura), o Lev (da Livraria Saraiva) e o Kindle (da Amazon), todos os três vendidos oficialmente no Brasil e com faixas de preços bastante similares.

Os três aparelhos, em suas versões básicas, não possuem iluminação (algumas versões mais caras tem essa funcionalidade) e apresentam tamanho de tela de 6 polegadas. Em termos de design, existem algumas variações, sendo que a preferência – nesse quesito – será a ergonomia que cada pessoa terá ao segurar cada aparelho (questões como tamanho da mão, tamanho dos dedos e etc).

As diferenças começam quando falamos de hardware e ecossistema. No primeiro quesito os três são quase pareados, apresentando memória interna de 4Gb, o que pode parecer pouco se estamos acostumados com celulares, mas é uma capacidade enorme para um leitor digital. O Lev e o Kobo, entretanto, possuem entrada para cartões microSD, o que é uma vantagem. O Kindle compensa essa desvantagem ao apresentar um ecossistema mais robusto e diversificado. O aparelho da Amazon possui integração com o site e todos os dispositivos seus que possuam o app do Kindle instalado. Atualmente o Kobo possui algo parecido, mas o Kindle cumpre essas funções de forma mais prática e descomplicada.

Além disso, o Kindle possui um email interno ao aparelho (geralmente é “seunomedeusuário@kindle.com”). Ao enviar um email com documentos ou livros anexos e utilizando a palavra “convert” como assunto, o site da Amazon converterá automaticamente o conteúdo em formato próprio para o leitor digital e enviará diretamente para o aparelho. Isso elimina as diversas gambiarras que são necessárias para ler adequadamente, por exemplo, PDFs em outros leitores digitais.

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Em termos de bibliotecas, os três aparelhos tem uma quantidade semelhante de títulos nacionais. A Saraiva acaba tendo um acervo um pouco maior, mas acredito que as outras duas empresas devem alcançar o número de livros do acervo em pouco tempo. A Amazon possui um grande acervo adicional de livros estrangeiros, inclusive livros técnicos e acadêmicos, o que é uma mão-na-roda para universitários ou estudantes de pós. Outra vantagem da Amazon é o Kindle Unlimited, que funciona com uma assinatura mensal (atualmente de R$19,90) que te dá acesso a boa parte do acervo nacional e internacional da loja de forma gratuita. Em uma matemática básica, se você ler mais de um livro por mês, o serviço já se paga sozinho já que o custo individual de dois livros digitais (lançamentos, por exemplo) já seria maior do que a assinatura paga. Esse foi um “plus” que pesou bastante na decisão.

No fim das contas, cada aparelho tem suas vantagens e desvantagens. Vale a pena pesquisá-los e ver qual atende melhor a sua demanda de uso. Minha opção pelo Kindle se deu pelo acervo geral maior, pelo ecossistema e pela possibilidade do serviço de assinatura Unlimited.

Nota¹: A imagem que mostra os três aparelhos juntos foi retirado do site Techtudo.

Nota²: Esse artigo é pessoal. Não recebi ou ganhei qualquer tipo de lucro ou benefício de nenhuma empresa para escrevê-lo. Todo o conteúdo foi pesquisado pelo autor.

Resenha ~ O Homem do Castelo Alto (Philip K. Dick)

casteloalto_frente_altaLivro: O Homem do Castelo Alto
Título Original: The Man in the High Castle
Autor: Philip K. Dick
Editora: Editora Aleph
ISBN: 978-85-7657-076-9
Ano: 2006 (original:1963)
Páginas: 304
Tradutor: Fábio Fernandes

Se existe uma coisa na qual Philip Dick é mestre ela é a capacidade de nos deixar com “a pulga atrás da orelha” após cada livro. Não existe – arrisco dizer – na literatura do último século nada que chegue perto do vislumbre enigmático que são os livros dele. E com “O Homem do Castelo Alto” (primeiro livro de Dick) não é diferente.

O livro narra a vida de algumas personagens vivendo em uma realidade onde a Alemanha Nazista e o Japão venceram a guerra. Os EUA (e boa parte do globo) foram divididos entre os dois e a tecnologia tomou rumos bastante inesperados.

Na obra, Dick constrói um mundo ficcional bastante detalhado. Ele se preocupa em mencionar como aspectos culturais e cotidianos se modificaram nessa realidade alternativa. Carros se tornam opcionais, viagens transcontinentais são feitas em foguetes (ao invés de aviões), bicitaxis são o meio de transporte comum, favelas se espalham por toda a costa Oeste dos EUA, nazistas conseguiram colonizar a lua e também Marte, e outras coisas.

Durante todo o livro Dick se preocupa em descrever as banalidades da vida das personagens, sendo algumas vezes até mesmo tedioso. Tudo isso, entretanto, tem um propósito sutil mas importante: mostrar ao leitor que não se trata dos EUA que conhecemos, nem mesmo do mundo como conhecemos.

Na história, acompanhamos diversos personagens: Sr. Childan, um dono de loja de antiguidades americanas (que agora são itens de colecionador entre os japoneses); Frank Frink, um artesão judeu especializado em fabricação peças de colecionador falsificadas; Juliana Frink, ex-esposa de Frank que fugiu para os Estados Neutros (interior dos EUA); e o Sr. Tagomi, um japonês imperialista, líder da missão comercial japonesa (algo que, segundo o livro, seria um cargo quase político dentro do mundo japonês). A trama de cada um deles vai, aos poucos, se entrelaçando umas com as outras de maneiras improváveis. Frank começa a vender peças para Childan, Childan revende peças para Tagomi e etc. Em diversos momentos não sabemos aonde Dick quer nos levar, ficamos apenas assistindo as vidas cotidianas deles. Dick porém pontua pequenas intrigas e problemas a cada página, construindo um esquema político de tensão entre os japoneses e os nazista, algo próximo a guerra fria que nosso mundo enfrentou.

É necessário saber que o autor não tem intenção nenhuma em explorar profundamente esse lado politizado da história. Apesar de termos alguns debates políticos entre as personagens, todos eles são puramente esteriótipos criados para expor o ridículo das teorias políticas do século passado. Temas como Marxismo, Socialismo, Corporativismo são tratados como puras criações caprichosas de lideres inescrupulosos, o que não chega a ser mentira. O objetivo de Dick, como em todos os seus livros, é questionar a validade daquilo que chamamos de “realidade”.

Seria isso que vemos é a realidade?

A resposta não vem de forma direta. Na trama as personagens (quase todas) consultam o famoso livro-oráculo I Ching. As vidas deles são pautadas pelo que o oráculo revela e decisões importantes acabam se tornando obra do puro acaso (ou ao menos aparentam ser). O final aberto do livro é – até os dias de hoje – alvo de grande discussão, justamente por tratar a realidade como algo subjetivo.

O autor também trabalha a meta-ficção, pois dentro do livro existe um escritor que publica um livro chamado “O Gafanhoto se torna pesado”, contando como seria o mundo se os Aliados tivessem ganhado a guerra. O livro se torna obsessão para Juliana Frink que passa a querer conhecer o autor (que é referido como o Homem do Castelo Alto, por isso o título do livro).

Com relação a escrita, Dick mostra sua tendência utilitarista de somente nos passar as informações que ele julga serem essenciais à trama. Não existem lirismos ou descrições vazias, tudo é objetivo. Ainda assim, a leitura pode ser trabalhosa pois Dick utiliza constantemente termos japoneses e alemães. Palavras como Tokkoka, Abwehr, Wu, Partei e etc., já são familiares àqueles que costumam estudar a 2° Guerra Mundial, mas podem ser totalmente desconhecidas daqueles com pouca intimidade no assunto. A dica é não hesitar e pesquisar qualquer palavra que acredite não conhecer. Esse também é um livro que é melhor apreciado por quem domina um pouco de história americana e história do entre-guerras devido a grande quantidade de referências à eventos desses períodos.

Superando algumas possíveis dificuldades na leitura, “O Homem do Castelo Alto” traz ao leitor questionamentos inquietantes e quando termina nos deixa procurando algo mais nas entrelinhas de suas páginas.